terça-feira, 11 de maio de 2010

Qual a importância dos limites no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes?

A ausência de limites confunde o individuo que tem como projeto a humanidade.
Os limites são necessários para que possamos desenvolver a sensibilidade, a criatividade, o senso moral e ético. Tais características nos aproximam do humano em potencial em todos.
  Assumir esta posição de oferecimento, é assumir responsabilidades, compromissos e dedicação. 
O limite somente é possível quando há autoridade. Não se estabelece limite com autoritarismo.Ou seja, poder pelo poder. A autoridade é legitimada pelas atitudes, através das escolhas feitas, consciência do seu papel enquanto membro da sociedade. A primeira autoridade pré-estabelecida antropologicamente é a divina. O respeito a uma entidade superior promove o respeito à autoridade paterna e materna. Nesse sentido a religião é essencial.
 Leonardo Della Pasqua trata da necessidade dos limites diante das mudanças atuais. São novos cenários que precisam ser respeitados para sofrerem  intervenções seguras de pais e educadores. Vale Conferir!
Fonte do texto :
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://referencialpsicologico.files.wordpress.com/2009/09/limites_na_educacao.jpg&imgrefurl=http://referencialpsicologico.wordpress.com/2009/09/13/qual-a-importancia-dos-limites-no-desenvolvimento-das-criancas-e-dos-adolescentes/&usg=__y1QV7-tfYoBPiCacuWvUplTSwtc=&h=280&w=430&sz=24&hl=pt-BR&start=5&sig2=7LDqZQ9-N6c_Quaz9f_-iw&um=1&itbs=1&tbnid=TBqaouqQlaqogM:&tbnh=82&tbnw=126&prev=/images%3Fq%3Dlimites%26um%3D1%26hl%3Dpt-BR%26safe%3Doff%26sa%3DN%26tbs%3Disch:1&ei=oTTrS9OzM6TWmwO4hZ2DBA



Qual a importância dos limites no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes?

AUTOR :Leonardo Della Pasqua

Eis o grande dilema da modernidade. Pais que receberam uma educação considerada muito repressora decidem educar seus filhos de modo diferente. Os meios de comunicação há anos entrevistam especialistas que fazem declarações contrárias a determinadas práticas educativas e pedagógicas utilizadas por pais e professores. Para tornar a situação mais complexa ainda, a família mudou. O modelo pai-mãe-filhos transformou-se. As crianças da modernidade moram com avós, tios, com madrastas ou padrastos, com novos meio-irmãos… Babás e domésticas passam mais tempo com os filhos que os próprios genitores, muitas vezes com culturas muito diferentes. Perdeu-se a figura de autoridade dentro de casa. Essas pessoas crescem as crianças, mas será que as educam? Quem comanda? Quem determina as regras a serem seguidas dentro e fora de casa?

Os pais modernos sabem que é importante dar liberdade aos filhos, que não devem impor seus próprios desejos, que educar com violência não é adequado. Ao mesmo tempo em que sabem o que não devem fazer, sentem-se perdidos sobre como devem se comportar. Esperam que outras figuras profissionais façam isso por eles. Vão a psicólogos, a psicanalistas, a médicos, esperando que esses profissionais “dêem um jeito” na situação.

A mãe moderna trabalha e não pode dedicar todo o seu tempo na educação dos filhos. Tem que trabalhar e pensar na sua carreira profissional e na sua vida pessoal. A mulher moderna está longe de ser aquele sujeito onde o lugar na sociedade era exclusivamente o da maternidade.

O pai moderno também está longe de ser aquele modelo de pai autoritário e temido de algumas décadas atrás. Participa mais da vida doméstica, é mais sensível, menos distante. Abandonou o modelo de pai que em casa deve ser temido e não deve ser perturbado. Brinca com os filhos, troca fraldas. Ele e a mãe (quando os filhos moram com os dois) realizam todas as vontades dos filhos. Sentem-se em culpa pelo tempo que estão ausentes, envolvidos em suas atividades profissionais e sociais.

Qual o resultado dessa realidade?

O resultado é que os filhos perderam as figuras de autoridade e os parâmetros de identificação. Sabemos que regras e limites são fundamentais para o desenvolvimento da personalidade das crianças e adolescentes. Estas ensinam que é preciso ter respeito pelos outros, que não se pode fazer tudo o que se quer.

As crianças tem que aprender a conviver em grupo e o primeiro grupo da nossa sociedade é a família. Quando a família não impõe limites, quando não frustra educativamente os desejos das crianças e quando não é ajudada pela escola nessa tarefa, o caminho para um sujeito indisciplinado e delinqüente está aberto. A esta altura a lei se incumbirá de dar um limite a dificuldade de convivência do jovem.

Freqüentemente em minha prática clínica como psicanalista escuto jovens verbalizarem sem rodeios que gostariam que seus pais impusessem limites ao seu comportamento, pois sentem a necessidade de saberem até onde podem ir. Muitos pais sentem receio de traumatizar os filhos frustrando suas vontades. Este receio, aliado a falta de limites, prejudica muito mais do que frustrar de maneira educativa as vontades dos filhos.

A esta altura o leitor desta coluna deve estar se perguntando: “Devo usar a força física ou ameaçar usá-la para fazer meu filho me obedecer?”

Costumo orientar os pais que atendo a não espancarem ou esmurrarem seus filhos, pois muitas vezes esse método é utilizado pelos pais para descarregarem as frustrações de suas vidas nos filhos. Porém, um empurrão bem sentido, daqueles que doa no coração é indicado e educativo.

Quando necessário os pais devem se impor fisicamente sim! É importante que os pais se façam respeitar porque são os provedores da família, têm mais experiência e por serem mais fortes. Caso não façam isso, a sensação de onipotência por parte dos filhos não diminuirá, “o rei do lar” não perderá sua majestade e correrá o risco de colocar-se em situações de risco no futuro.

Ouço cotidianamente pais afirmarem que tratam os filhos como amigos. Sou categoricamente contra esta postura. Pais são pais, amigos são amigos. Não é possível ocupar ambos os papéis ao mesmo tempo. É preciso ensinar aos filhos o sentido da hierarquia, onde existem papéis a serem ocupados pelos membros da sociedade e que esses papéis devem ser incorporados e respeitados.

Pais que tratam os filhos como amigos esquecem que os filhos não sabem como funciona o mundo e que devem ser guiados e ensinados a viverem nele. São os mesmos pais que chegam ao consultório surpresos com o desrespeito de seus filhos perante as figuras de autoridade, com o total desinteresse por regras e limites, com o comportamento muitas vezes violento e auto-destrutivo de seus filhos.

Todos temos componentes agressivos em nossa personalidade que devem ser reprimidos, domesticados e sublimados. Uma boa dose de repressão é fundamental para o desenvolvimento da personalidade de crianças e adolescentes. Caso a criança apresente dificuldades de socializar é preciso reprimir! Uma adequada dose de repressão é necessária para a formação da criança, mas não deve ser contaminada pela frustração dos pais em não serem obedecidos, onde a raiva que deriva de tal frustração pode ser descarregada na criança como desculpa de uma repressão educativa. Nesse caso a repressão seria determinada pelo estado afetivo dos pais e não pela necessidade de disciplinar o filho.

É um desafio das famílias modernas educarem seus filhos. Um desafio difícil, que deve ser encarado com responsabilidade pelos pais e cuidadores, pois regras e limites são fundamentais para a estruturação do psiquismo de nossas crianças e adolescentes. Sem elas, nossos filhos sentem-se perdidos, sem saber como devem comportar-se em sociedade.

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